Espaço simbólico

18/05/2009

Venho tentando um encontro com a rede e, apesar de inícios, noto que costumeriamente, sempre acabo por deixar de lado. Este mesmo blog, criado há tempos e silenciado. Mas sempre me via às voltas com isso: uma questão: por que pode parecer importante compartilhar seus escritos, frequentemente? Por que as questões que nos interrogam viram produção de palavras e ganham a socialização da rede? Num misto de julgamento, no qual o narcisismo é o réu, acabei descobrindo coisas intrigantes.

A rede mostra seu valor na troca, e permite encontros que, factivelmente, no dia–dia de nossas territorialidades não seriam praticáveis. E ela esconde menos uma solidão do que a companhia. Isso que me cativou. Estar acompanhada, acompanhar realizar trocas, discutir pontos de vista, realizar mundo entre os humanos. Instituir espaços estreitos de confissão e elaboração de idéias que nos ajudam a movimentar o mundo. E a reformulá-lo e a reinaugurá-lo.

E esse universo humano, no qual há falta e, que nos falta, é constitutivo da vida humana, simbólica por excelência. Os símbolos representam as coisas, não são as coisas em si. Eles vêm quando o real não é, e regulam aquilo que é o imaginário, reino das certezas.

Esse universo da dúvida, da contigência é que nos permite agir ou não agir, concedendo a oportunidade de interpretação do mundo.

O maior recurso para o estabelecimento da ideologia é apontar a visibilidade, ou a evidência dos fatos: é assim, veja! Os fatos falam por si mesmos! Como se bastasse olhar, notar e constatar que as coisas são “assim mesmo”. Mas a delícia de interromper essa superafirmação de uma verdade-simulacro é que os fatos nunca falam por si mesmos. Eles são sempre levados a falar por alguém, interpretados a partir de determinada posição, em determinado lugar simbólico. Há uma rede de elementos discursivos que subsidiam a construção de um ou outro fato, visível, evidente.

Evidentemente, é de onde vejo que posso falar e formular. Aqui quero compartilhar algumas interpretações das coisas.

Mas recusando o narcicismo, e valorizando o eros da rede, isto é, o poder de ligação, recordo Merleau-Ponty, que, a grosso modo, naquele difícil texto, “Fenomenotogia da Percepção”, nos diz que a experiência de uma mesma coisa ser vista por diferentes perfis e ainda sim ser reconhecida como essa determinada coisa, é a condição de ser uma coisa. É isso que condiciona a existência de uma coisa, a possibilidade de reencontrar uma mesma coisa mediante seus diferentes perfis.

Assim, inauguro a socialização de um perfil. Que a rede me ajude a reencontrar a coisa, inclusive pela pluralidade de perfis apresentados.

À pluralidade e à possibilidade de alojar um particular no mundo, que por tristeza, às vezes aparece tão homogêneo.

Sejam bem-vind@s!

Hello world!

08/08/2008

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